(Fonte: reluar)
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"Eu me sinto um turbilhão! Sim, um turbilhão. Não, não, não… Um furacão, mais eficaz talvez. Ou um terremoto, um tsunami, eu não sei. Que será? Não há a que comparar tudo o que sou num coração tão pequeno e tão quieto, tão calado. Sofre em silêncio, sorri de lado. Meu pobre amigo é engraçado, ‘cês sabem? Ele não se deixa desvendar; mas veja que agora não lhe resta outra escolha, pois a proposta foi clara, ou me deixas desvendar-te ou te despejo num pestanejar! Espero que seja bem possível de se fazer, quero apagar a luz, quero deixar só a noite escura pra eu não enxergar mais nada. Essa claridade me cega de tanta branquidão, é demais para um pobre como o meu, é demais até para os grandes e fortes e feitos à tijolos secos sem um pingo d’alma. O meu todo enfeitado a diamantes se derrete com um beijo, se aquece com abraço… É sensível, não resiste, faz de durão, mas sabe, é um pobre, um pobre como eu; é um coração - e sua natureza é não ser nada além de tudo. O que me faz correr em círculos para achar o que está no meio do planeta. Isso tudo é cheio demais, me transborda, não cabe, não tem mais jeito, não tem mais lado pra encaixe. Se eu sentir mais um triz, eu perco a linha e é o fim." -S. B. Guilherme, em Coração.
